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O Tucum


Dados botânicos

Texto: NOME POPULAR:Tucum

FAMÍLIA: Arecaceae (Palmae)

NOME CIENTÍFICO: Artrocaryum chambira Burret

DESCRIÇÃO
Na Amazônia brasileira, o Tucum se apresenta como uma palmeira de grande porte, majestosa, com tronco simples e fortemente armado com longos espinhos negros. É uma espécie praticamente inconfundível com outras palmeiras nativas da região, com exceção do Tucumã (Astrocaryum aculeatum). Embora as duas espécies tenham hábitos e aparências similares, o Tucum é sempre mais robusto e armado. A diferenciação mais evidente entre estas duas espécies pode ser observada no perianto dos frutos, que é inteiro no Tucum e recortado no Tucumã.

O Tucum pode atingir até 15 m de altura e seu tronco pode alcançar até 30 cm de diâmetro. Suas folhas pinadas são de coloração verde-escuro e as pinas irregularmente arranjadas e dispostas em vários planos ao longo da raque foliar dão um aspecto desarranjado às folhas. Os frutos com formato obovóide podem atingir até 6 cm de comprimento e 4 cm de diâmetro. Quando maduros, apresentam casca com coloração amarelo-esverdeada e polpa levemente laranjada.

O Tucum é uma palmeira nativa do norte e oeste da região Amazônica, podendo ser encontrada no Brasil, Peru, Equador, Colômbia e Venezuela. A ocorrência mais freqüente em áreas alteradas pelo homem sugere que a dispersão do Tucum na Amazônia parece ter sido fortemente influenciada pela ação do homem, que tem explorado esta palmeira de forma sistemática por seus frutos comestíveis e as folhas novas, de onde se podem extrair fibras para a elaboração de linhas usadas na confecção de redes para dormir e pescar, linha de pesca e de amarrio, além de roupas e outros utensílios, como bolsas e chapéus.

Fiação

O processo de fabricação da linha do Tucum, envolve grande habilidade artesanal e pode ser dividido em quatro etapas: coletar a palha, tirar e lavar o linho, pentear e puxar o linho, fiar e urdir a linha. Com exceção da coleta das palhas (que é feita tanto por homens quanto por mulheres), a produção da linha fica por conta das mulheres. O fuso utilizado na fiação é feito pelos artesãos da comunidade.

1- Coletar a palha: a escolha da palmeira a ser coletada é criteriosa, pois ela é repleta de espinhos e por isso não é possível subir na árvore para tirar a folha. Quando a palmeira é baixa corta-se a folha na altura do estipe (caule) com o auxilio de um facão e quando é alta faz-se necessário subir numa árvore ao lado para cortá-la. De cada indivíduo tiram-se duas ou no máximo três folhas, para não prejudicar o seu crescimento. Somente as folhas novas são aproveitadas, das quais se obtém o linho com mais facilidade.

2 - Tirar e lavar o linho:
“A palha do Tucum tem os dois lados o direito e o avesso. Quebra o talo e risca com a faca do lado avesso com cuidado para não apartar, aí tira a palha e fica a seda e depois tira a seda pelo lado direito para aparecer o linho” (Francisca Alves da Silva, fiandeira do Tucum).
A parte folhosa é desprezada, ficando-se com a seda e o linho. Em seguida, passa a faca pelo lado superior da “palha” para separar o linho da seda que é utilizada na confecção de tapetes. O linho verde é lavado e esfregado no igarapé com sabão de côco até ficar branco. Em seguida, o linho é estendido no varal para secar de um dia para o outro. De manhã ele é afofado para ficar solto. Quando seco pode ser tingido ou usado na cor natural.

3 - Pentear e puxar o linho:

Penteia-se o linho seco, de preferência, com pente de pregos ou escova de metal. Os fiapos que sobram na escova são guardados para diversos fins: confecção de bonecas, enchimento de travesseiros e bucha para banho ou lavagem de louça. A etapa de puxar o linho consiste em puxar devagar, com os dedos indicador e polegar, para se obter um fio da grossura desejada.

4- Fiar e urdir a linha

O processo de fiação define a qualidade da linha. Uma boa linha produzida não deixa fiapos. O mesmo se aplica ao processo de urdir, que necessita do fuso de madeira, confeccionado com rodelas de cedro e hastes de paxiúba. As fiandeiras usam a perna para rodar o fuso, entrelaçam dois fios, definindo a forma e a espessura da linha. Conforme explica a fiandeira Francisca Alves Silva:

“A parte da fiação, se você fizer a primeira corda do Tucum, se você fiar ela pro lado debaixo da perna jogando do joelho pro pé, quando for pra fazer a corda, pra urdir, você tem que fazer o contrário, vir do pé subindo pro braço, os dois bolos juntos, se tu levou ele pra fazer a primeira fiação levando do joelho pro pé, fazendo a urdição vai subir do pé pro braço, os dois bolos pra unir essas duas linhas e elas ficam juntas, ficam todas duas sorrindo de bonita” .

Tingimento

O tingimento do linho do Tucum é uma etapa à parte, tamanha é a diversidade de técnicas e espécies utilizadas. As oficinas de tingimento natural, orientadas pelas fiandeiras, proporcionam um diferencial na produção da linha: jatobá, urucum, cedro, vinagreira e pau-brasil, dentre outras, dão o toque especial das cores da floresta, resgatando práticas culturais que estavam adormecidas e valorizando o produto final.
Para tingir o linho, coloca-se de molho na água a parte utilizada da planta (raízes, cascas, folhas ou sementes) depois ferve-se por trinta minutos com um pouco de sal, que serve como fixador natural. Depois de coar, coloca-se o linho para ferver por mais trinta minutos. Em seguida é lavado e colocado no sol para cercar.