A partir do município de Ipixuna, empreende-se uma viagem de 15 horas de barco até o Seringal. O centro da vila está distante da margem do Rio Juruá, no verão todo carregamento que chega ao porto precisa ser transportado nas costas por 10 quilômetros, por cerca de três horas, mata adentro. Os homens chegam a carregar mais de 50 quilos através das “pinguelas”, espécie de pontes feitas com troncos de árvore utilizada na travessia de terrenos alagados. Por essa dificuldade, as famílias se acostumaram a se manter utilizando basicamente os recursos disponíveis, praticando a pesca, a agricultura de subsistência e o extrativismo de uso múltiplo da floresta.
O terreno alagado na época das chuvas, torna-se extremamente fértil nos períodos de seca, em função da deposição de solos de aluvião, tornando-se por isso propício para a plantação de milho, feijão, jerimum e melancia, cultivados próximo às praias formadas ao longo do rio.
A farinha de macaxeira e o peixe são a base da alimentação, três grandes lagos abastecem a comunidade com diversas espécies de peixes, como tambaqui, matrinchã e piau. A complementação vem pelos frutos das palmeiras; importantes fontes de nutrientes, como o açaí, a bacaba, a pupunha e o patoá.
Historicamente o Seringal Adélia sempre se destacou pela sua produção agrícola associada à extração do látex. Ao contrário do que se observava nas outras colocações, a agricultura era estimulada no seringal, havendo a frente de trabalho da agricultura e a frente da borracha. No tempo da extração da borracha, viviam cerca de 300 famílias no seringal, que se dividiam entre os trabalhos extrativistas e agrícolas.
A área que corresponde à colocação dos Estorrões permaneceu abandonada por quase 50 anos quando, em meados da década de 90, o líder comunitário Alfredo Gregório de Melo, descendente de antigos seringueiros que habitavam o local, retornou às suas origens no seringal Adélia onde nasceu, passando a reunir parentes e agregados dispersos ao longo do rio Juruá. Nesse contexto foi formada a Vila Ecológica Céu do Juruá.
Há cerca de dez anos, quando as atividades foram retomadas no seringal, buscou-se introduzir nos sistemas agrícolas familiares um modelo de ocupação agroflorestal, baseado no cultivo de cereais e leguminosas associado ao plantio de árvores frutíferas. Nessa nova proposta de vida comunitária dentro das antigas colocações da beira do rio e do centro, a atividade do artesanato, confeccionado a partir da extração de produtos florestais não madeireiros, representou uma alternativa ambientalmente sustentável e economicamente viável de obtenção de renda para essas famílias encravadas na floresta.